O que as recrutadoras perguntam em uma entrevista remota (e como se preparar)

Imaginemos que você está buscando a sua vaga remota: encontrou uma que é a sua cara, pesquisou sobre a empresa, enviou o seu currículo, e finalmente… a recrutadora entrou em contato com você e agendou uma entrevista. Parabéns! Agora o foco é preparar-se para essa primeira conversa. Você e eu sabemos que muitos fatores influenciam no bom resultado de um processo seletivo, e não existe uma única “fórmula” que faz tudo dar certo – mas espero iluminar o seu caminho nessa busca com algumas dicas.

As recrutadoras durante uma entrevista

O que investigamos: os conhecimentos técnicos e as habilidades comportamentais (hard e soft skills) que você demonstrou ao longo da sua trajetória profissional, e também o seu potencial de desenvolvimento naquele cargo e empresa.

Como fazemos isso: existem diferentes metodologias. Nesse post vamos entender como funciona a entrevista comportamental (STAR interview, da sigla em inglês).

Qual o objetivo: entender a maneira como você usou os seus conhecimentos e atingiu resultados ao longo da sua trajetória acadêmico-formativa e profissional.

É importante entender

Cada entrevista é diferente: a empresa escolhe as etapas a serem cumpridas pelas pessoas candidatas ao longo do processo seletivo. Conforme o cargo, as habilidades que buscamos investigar nas entrevistas variam bastante também, ou seja: em cada entrevista a recrutadora estará fazendo diferentes perguntas e investigando diferentes competências.

A entrevista individual costuma ser a terceira fase de um processo seletivo. A primeira é a análise dos currículos, depois o filtro telefônico, depois a entrevista (que costuma durar em média 60 minutos) e um teste técnico. Nem todos os processos seletivos tem todas estas etapas. Alguns tem mais etapas de testes, e mais de uma entrevista. Algumas empresas pedem vídeos curtos de apresentação. São diferentes formatos, cada empresa escolhe o seu.

Com quem você vai falar: existem empresas onde a mesma pessoa da área de RH vai ser o seu ponto de contato ao longo de toda a sua jornada de candidata, e em outras, uma pessoa faz o filtro telefônico, outra faz a entrevista, depois você conhece a gestora da vaga… Em qualquer caso, é muito provável que exista aos menos uma etapa onde uma pessoa vai querer te conhecer em uma entrevista individual.

Você controla algumas coisas, mas não tudo: por exemplo, não sabemos com quem você está concorrendo, e se essas pessoas reúnem todas as habilidades e a experiência necessárias para o cargo. Então foque naquilo que você pode controlar: a sua preparação para a entrevista!

Como se preparar e mandar bem em uma entrevista remota

Dica 1) Pesquise a empresa

Vale pesquisar a página de carreiras, entrevistas dos fundadores no Youtube, o perfil no Glassdoor, o perfil no LinkedIn, ou o bom e velho “dar um Google”. Dedique tempo para ler com calma o site, a história da companhia, depoimentos de colaboradores… a sua curiosidade é o limite! Ainda bem que a informação está disponível com poucos cliques gratuitamente na internet. Acredite: preparar-se bem vai te deixar seguro, e isso faz toda a diferença ao longo do processo seletivo.

Se você acompanha o blog da Remotar, você sabe que pesquisar a empresa é uma dica que também vale para a fase de preparação do currículo antes de se candidatar para a vaga. Entenda que, na hora de se preparar para a entrevista individual, é importante “mergulhar” na empresa da qual você quer fazer parte. Pensa o seguinte: se você amou o que você descobriu, bola pra frente! E se o que você descobriu sobre a cultura, a história e os produtos da empresa não for do seu agrado, pense com carinho na hora de continuar no processo ou não. Isso é muito importante! Afinal de contas, um processo seletivo é sempre uma escolha das duas partes envolvidas: a empresa te escolhe, e você também escolhe a empresa.

Dica 2) Entenda a vaga

Quando a empresa elabora a descrição do cargo e o anúncio da vaga, as palavras-chave estão ali, assim como os desafios daquele cargo, as principais responsabilidades e os conhecimentos técnicos necessários. E quando você leu, você gostou, né? Por isso você se candidatou! Então vá até a página da Remotar, leia novamente o anúncio, e anote (no papel ou no software que você costuma usar) os pontos com os quais você mais se identifica, e que mais te chamam a atenção naquele desafio. Esses pontos, somados ao que você também anotou sobre a empresa na dica anterior, devem estar presentes na sua fala ao longo da entrevista.

Dica 3) Anote exemplos práticos

Na entrevista comportamental (STAR interview, em inglês), queremos que você conte exemplos de situações que você viveu. O que vamos te perguntar inclui 4 pontos:

  • Situação: o contexto, ou seja, a empresa, o time, o desafio, etc.
  • Tarefa: a sua responsabilidade
  • Ação: o passo a passo (o que e como você fez)
  • Resultado: as consequências das suas ações

Depende do cargo: as perguntas a serem feitas por parte da recrutadora durante a entrevista dependem das habilidades necessárias para performar bem naquele cargo específico. Aqui algumas:

  • Me conta uma situação onde você participou de um projeto desafiador. Qual resultado foi obtido? Como você controlou os indicadores? Por qual motivo esse projeto foi importante para a empresa?
  • O que você fez quando precisou aprender algo novo rápido (por exemplo usar um sistema que você não conhecia)? Como você compartilhou os seus aprendizados com a equipe?
  • Você já liderou pessoas que não concordavam com o seu ponto de vista? Qual foi a sua estratégia? Quais foram os resultados?
  • Me conte uma situação onde foi necessário muito jogo de cintura para convencer um colega seu sobre a importância de uma determinada tarefa. O que você aprendeu com isso?
  • Qual foi o seu papel no time na sua última empresa? Quais principais resultados vocês obtiveram juntos?
  • Quando você entrou na última empresa, como planejou as primeiras semanas para aprender e se integrar no time?

Valem diferentes exemplos: da faculdade, da sua organização em casa, de projetos do trabalho, de iniciativas suas em um job voluntário, aprendizados praticando esporte, vivências no grupo de escoteiros… não importa muito onde você viveu aquela situação, o que importa mesmo é que ela seja verdadeira e que você conte aquilo que é mais relevante, de maneira sucinta. Se você precisar de um tempinho pra pensar em um exemplo adequado, é só dizer: “Legal essa pergunta. Vou pensar, me dá um segundo.”

Dica 4) Pratique

Vamos fazer um exercício: Imagine que, para a vaga que você está concorrendo, as competências-chave são aprender rápido, influência, foco no cliente, foco no objetivo e organização. Aqui deixamos alguns exemplos de perguntas e como você pode respondê-las (lembre-se de escolher exemplos reais que tragam os quatro pontos STAR):

  • Aprender rápido: “Como você estrutura o seu processo de aprendizado para fazer algo novo? Me conta um exemplo?” Fale sobre ser autodidata, ou qual foi o último curso que você fez, e a sua rotina de estudos. Você pergunta e aprende com os colegas?
  • Liderança e influência: “De que maneira você liderou um time para garantir uma entrega desafiadora?” Conte sobre como você errou, acertou, e aprendeu. Como você define o seu estilo de liderança hoje?
  • Foco no cliente: “Me conta alguma situação onde a sua atuação fez muita diferença para alguém que você atendeu?” Como esse cliente reagiu? O que você aprendeu? Como esse aprendizado se incorporou nos seus atendimentos futuros?
  • Foco no objetivo: “Me traga um exemplo que mostre você fez algo que garantiu a sintonia com os colegas, e assim vocês cumpriram o objetivo comum do time?” Pergunta bastante autoexplicativa. Qual foi o seu papel no atingimento do objetivo?
  • Organização: “Como você organiza as suas tarefas de maneira a entregar as tarefas no prazo?” Com um software? Com agenda de papel? Como compartilha isso com o time? Como garante que não tem erros? Como comunica a entrega realizada aos seus colegas para que todos compreendam o que foi feito?

Percebe como o autoconhecimento é importante? Se você se conhece, e sabe como gosta de realizar as suas tarefas, esses exemplos vêm à memória de maneira descomplicada.

Dica 5) Entenda conceitos importantes (especialmente para vagas remotas)

Cultura: cultura organizacional são coisas (subjetivas e objetivas) que as pessoas fazem em determinada empresa e que são muito valorizadas. É como se fosse a cultura de um estado ou país. Pensa o seguinte: em qual país do mundo se come muita pizza? E onde se come sashimi? Ou ainda, em qual estado brasileiro se fala “doix”? E em qual se dança frevo?

Nas empresas funciona assim também, ou seja, são valorizados determinados costumes, práticas e comportamentos, e a empresa se torna reconhecida por isso. Então, se na sua pesquisa você descobriu que a companhia da qual você quer fazer parte preza por valores como, por exemplo, agilidade, trabalho em equipe e inovação, anote situações que mostram a maneira como você coloca esses valores em prática. É muito provável que isso seja questionado, pois o culture fit (adequação à cultura) faz parte da avaliação de candidatos.

Autonomia, comunicação e alinhamento: são habilidades importantíssimas no trabalho remoto, já que você precisa organizar o seu dia de trabalho de maneira autônoma, conectada aos objetivos que foram combinados (e, claro, comunicar tudo isso aos colegas para garantir o alinhamento).

Quando a empresa à qual você se candidata se posiciona e tem uma cultura remota, você deve abordar esses conceitos na sua fala. Conte sobre situações onde você:

  • alinhou o objetivo do projeto com o time
  • definiu as entregas da semana com os colegas
  • organizou a sua rotina
  • fez reuniões de follow-up
  • comunicou ao time a entrega finalizada

A comunicação funcionava via escrita? Quais ferramentas você usou? Vocês se comunicavam de maneira assíncrona? Você gravava vídeos? Participou ou liderou reuniões de status? Que resultados você obteve? Onde errou? Onde acertou? Qual feedback você recebeu? O que aprendeu com isso?

Dica 6) Faça perguntas!

Um processo seletivo envolve escolhas dos dois lados: a empresa escolhe o candidato e você também escolhe a empresa. Então aproveite o espaço de conversa para perguntar aquelas coisas que você gostaria de saber sobre os produtos, a cultura e principalmente sobre o cargo ao qual você está concorrendo. Um bom ponto de partida são as anotações que você fez durante a pesquisa da empresa e do cargo (dicas 1 e 2). Quais perguntas surgem a partir daí?

Vou abrir meu coração: nós, recrutadoras, gostamos quando a pessoa candidata faz perguntas, pois demonstra curiosidade e interesse! Confesso que meu coração encolhe um pouquinho quando eu digo “Você tem alguma pergunta?” e a pessoa responde “Por enquanto nenhuma dúvida, obrigada.” Então a dica é: pesquise e pergunte! Demonstre que você está a fim, que quer fazer parte daquele time e que tem um interesse genuíno sobre como é trabalhar e se desenvolver naquela empresa.

Dica 7) Atinja o objetivo

Compromisso com a verdade: você deve sair dessa conversa sabendo que os exemplos que você deu foram concisos e verdadeiros.

Saber o necessário para decidir: você deve entender com clareza alguns pontos:

  • as etapas do processo seletivo
  • o desafio do cargo
  • a estrutura da equipe
  • a visão de futuro do líder
  • a visão de futuro da empresa.

Trazendo bons exemplos no formato STAR e perguntando informações importantes sobre o desafio, você cumpre o objetivo da entrevista, que é: você e a empresa sabem do necessário para poder tomar a decisão de avançar (ou não) no processo seletivo.

Lembre-se: a escolha também é sua!

Seguindo essas dicas e se preparando, você pode passar pela entrevista com calma. Se tudo der certo e você encaixar naquele cargo e empresa, espero que seja muito feliz no desafio novo! Então bora lá se preparar para o processo seletivo da sua vaga remota? Boa sorte!

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