O passado e o futuro do trabalho

Para entendermos a evolução e para qual caminho estamos seguindo em direção ao futuro, vamos passar rapidamente pela história e estrutura do trabalho em outras épocas.

A palavra trabalho vem do latim Tripallium, um instrumento de três (tri) paus (pallium), utilizado como forma de punição e tortura de pobres e escravos que não tinham recursos para pagar os impostos. Na Antiguidade e grande parte da Idade Média chegou-se ao entendimento de que os trabalhadores então não seriam só os torturados, mas também os que trabalhavam em atividades físicas produtivas, como pedreiros e camponeses. Essas atividades passaram a ser vistas de tal forma pelo grande desgaste físico que se assemelhava a passagem no instrumento.

Mesmo com o entendimento de que trabalho seria então todas as atividades físicas produtivas, ainda assim era visto como apenas uma forma de troca para ter onde viver e o que comer, sem receber nada mais. Tinham apenas deveres, e os horários eram determinados pelas necessidades daqueles dos quais eles serviam.

Primeiros passos de evolução

Foi então que no século XIV o termo trabalho começou a ser utilizado não só para aplicação de forças como também faculdades (talentos e habilidades). Com a evolução cultural, onde nós passamos a nos instruir e especializarmos em uma, ou mais áreas, principalmente na Revolução Industrial, alguns outros significados foram incluídos ao dicionário, e quando pesquisamos hoje, vemos um bom espaço na página dedicado as suas definições.

Passávamos a ter nas fabricas e empresas além de um grande efetivo operacional braçal, setores administrativos operacionais lotados de pessoas que agora faziam parte de um novo capitulo desse termo.

Maquinas de escrever, telefones, copiadoras, o avanço tecnológico iniciando seu processo de modificação nas formas de trabalhar.

A carteira do trabalhador e suas mudanças

Havia, por volta dos anos 1900, uma carteira chamada de carteira de trabalhador agrícola, eram os passos inicias dos direitos e deveres entre empregador e empregado. Ela foi substituída pela carteira profissional e Previdência Privada em 1932, instituída no governo Vargas. Onze anos depois, 1943, o primeiro decreto de Lei fazia surgir o temor CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) que regulamentaria as relações trabalhistas fossem essas coletivas ou individuais, urbanas ou rurais.

Uma conquista e tanto vista como vantagem e segurança naquele tempo. Mas será que hoje em dia o pensamento ainda é o mesmo?

Seguimos…

Mudou? Está mudando?

Tanta coisa está mudando com o trabalho remoto, formas de executar, novas profissões, horários, hábitos, rotinas, etc. …

Mas antes, vamos abrir um parêntese e tentar responder uma pergunta que muitos de nós tem se feito: será que o trabalho remoto é um caminho sem volta?

É.

Com a chegada da pandemia, o que já vinha em um processo de informatização se acelerou. A necessidade do isolamento para proteção na tentativa de evitar o contágio do COVID-19, transformou nossos lares em escolas, estúdios, escritórios, além de serem nosso recanto. As empresas do cenário nacional aceleraram suas estratégias de transformação digital, enquanto outras aumentaram seus orçamentos para esse fim, significativamente.

Ah a tecnologia, tão resistida, invadindo todos os cantos e tornando a exceção em regra.

Mas voltando as mudanças, ou ainda sobre ela…

Mudar as nossas rotinas tão enraizadas do dia a dia não são fáceis, demanda um tempo maior para alguns de nós, para outros nem tanto. Há quem diga até que “se acostumou” com o stress no caminho de ida e volta ao escritório e sente falta. Oi?!

Em conversa com Elizabeth Serrano, funcionária a mais de 15 anos em uma empresa multinacional, ela nos relata sua experiência nessa nova realidade.

“No começo da pandemia não havia um planejamento, uma estrutura, não sabíamos como seria, nem tão pouco quanto tempo duraria e se daria certo. Era tudo uma grande novidade.

Sempre tive o hábito de me exercitar pela manhã e noite, mas com a necessidade de locomoção até o escritório e a volta para casa, tudo se limitava ao tempo que sobrava, além claro das demais obrigações que tenho, como cuidar do lar. Não era fácil dar conta de tudo em um prazo de 24h, cuidar da casa, me exercitar, trabalhar, lidar com os imprevistos, ter uma vida social e ainda sobrar tempo para dormir.

De alguns anos para cá idealizava uma forma de ter um pouco mais de liberdade, como brincava sempre com meus colegas no escritório, eu queria “VIVER”. Passar mais de 8h sentada de frente ao computador, fechada por concretos não me bastavam e já me consumiam.

Quando percebi que o tempo de trabalho remoto poderia se estender, não seriam apenas 14 dias, comecei a desenhar um novo cenário para minha vida. Aos poucos, mas de forma rápida, consegui estabelecer meu ambiente de trabalho dentro de casa e uma boa rotina.

Hoje sigo acordando cedo e como antes, curto o nascer do sol na praia, pratico meus exercícios com mais tempo e volto pra casa sem a aceleração de fazer tudo “voando” pra sair, sem ficar controlando o relógio a cada minuto. O café da manhã esta até mais saboroso, acredita?

Sento no meu canto de trabalho e inicio meu expediente até alguns minutos antes. É como se tudo tomasse uma proporção diferente, temos os mesmos processos de antes, as mesmas necessidades a serem atendidas, as urgências, cobranças, mas é como se tudo estivesse mais leve.

Os horários seguem os mesmos, tempo de almoço, tempo para encerrar. Durante o expediente, diferente de antes, quando parece que a cabeça vai explodir, me levanto, vou até meu quintal com meus vasos de plantas e flores, respiro fundo por alguns minutos, aí o ar puro, me alongo e volto. É como se recarregasse a bateria para seguir. Uma realidade completamente diferente. Sem contar que hoje me sinto motivada a buscar novas profissões, outros cenários, e comecei a fazer cursos que nada tem de proximidade com as funções que exerço hoje.

Parece pouca coisa, mas não é. Eu sigo tendo as mesmas obrigações no trabalho, mas me sinto vivendo muito mais saudável e conseguindo administrar e distribuir as 24h como antes achava impossível.

E pra mim, o ponto forte para que eu me sinta dessa forma, foi saber separar milimetricamente o trabalho do lar, o lar do trabalho.

Espero me aposentar assim, trabalhando remotamente.”

Nascer do Sol em Santos

Avanço tecnológico e seus impactos

O avanço da tecnologia trouxe um cenário promissor e de entusiasmo, com aparelhos e maquinários eletrônicos capazes de aumentar a velocidade de produção, informação, maior armazenamento de dados, além da melhoria e ganhos nos resultados da empresa. Quem se aliava mais estreitamente as modificações que o mundo moderno trazia, mais rapidamente conseguia oportunidades de novos cargos e posições.

Os investimentos partiam dos indivíduos como forma de capacitação e desenvolvimento das suas habilidades intelectuais e manuais, como também das empresas que viam com bons olhos tal investimento. Capacitar seus colaboradores para que utilizassem dessas novas ferramentas, fez com que muitas empresas abrissem vantagem no mercado em relação a concorrentes que não tinham a mesma visão de modernização, assim como o individuo na busca por uma colocação no mercado de trabalho.

Um dos impactos mais sentidos com toda essa invasão tecnológica foram sem dúvida na competitividade, a forma produzir, pensar e comunicar. O mundo já não era mais o mesmo.

Dados e novas mudanças

Um estudo feito pela TNS Research apontou um aumento de receitas e, crescimento de até 60% a mais em comparação as empresas que não enxergavam a necessidade de investir em tecnologias.

A construção de um novo negócio sem fronteiras, ou barreiras e de alcance máximo, trazia ao mundo mais uma nova forma de exercermos nossas atividades. Não resumíamos mais serem capazes de resolver, criar ou desenvolver apenas aqueles que estivessem sentados a mesa de um escritório por um período pré determinado.

Grandes foram as mudanças na forma de enxergar a política de gestão de pessoas ao longo dos anos. O ambiente de extrema rigidez, mesmo que ainda praticado em boa parte nos dias de hoje, formal, de vigilância e regras começavam a ser apontados como o causador na queda de produtividade, interesse e doenças. Com isso, um nicho de flexibilização chegava.

Definitivamente, o mundo não era mais o mesmo. E que bom!

Nova profissões

Há muitas delas já em execução e tantas mais que estão chegando e se consolidando.

Profissionais do futuro estão ligados a essa era que citamos anteriormente, da tecnologia massiva. Big Data, Business Intelligence, mobile, etc. …

Especialista em nuvem, técnico em telemedicina, UX writer, programador, desenvolvedor de aplicativos e arquitetos de dados são algumas das profissões que estamos citando, mas há um verdadeiro mar aberto de novas oportunidades.

A nós cabe buscar onde nos encaixamos nesse mar, será no leme do barco, no porto? Estarmos atentos as movimentações e mudanças, nos capacitarmos seja para exercer ou usufruir no exercício das nossas atividades atuais de tudo que a tecnologia tem nos proporcionado.

A redução das cargas horárias e dissolver parcialmente as atividades realizadas não só mudariam a vida dos empregados, como também um aumento de vagas reduzindo a taxa de desemprego

Grandes passos para o futuro

O entendimento era de que nós precisávamos além de trabalhar, ter tempo para as demais coisas da vida e que isso geraria profissionais com alto desempenho e gosto pelas atividades desenvolvidas, minimização de problemas de relacionamento, ambiente descontraído e leve.

Larry Page, diretor e um dos fundadores de uma das maiores empresas do mundo de serviços online e software (Google), é apoiador e entusiastas de novas estruturas de trabalho. Segundo ele, cargas horárias de 8h diárias está ultrapassada, tanto para empresas como para os funcionários. A redução das cargas horárias e dissolver parcialmente as atividades realizadas não só mudariam a vida dos empregados, como também um aumento de vagas reduzindo a taxa de desemprego.

Com todas essas novas ideias, o que para alguns de nós já era uma realidade tornou-se de conhecimento e execução de parte dos brasileiros. A opção de trabalhar sem carteira assinada (PJ) e também remotamente.

Aquela estrutura inicial de CLT como uma maneira segura e melhor se desconstruía ao longo do tempo. Contratos de prestações de serviços, atendimentos remotos, reuniões online faziam parte do dia-a-dia.

A dúvida se daria certo, gerou uma grande inquietação. Talvez a falta de disciplina, falta de suporte, como seriam os ambientes onde nós nos colocaríamos para realizar as jornadas, a internet e demais necessidades para o desempenho pleno das atividades, o empenho e foco. Quantas eram e são as incertezas que rondavam e rondam o trabalho remoto.

Adaptação e desenvolvimento

Esse novo momento permitiu uma redução significativa em problemas e gastos encontrados no processo. Atrasos, faltas e queda de produção ao longo das jornadas, gastos como alugueis de salas comerciais e despesas básicas para manutenção e funcionamento do espaço.

Nos adaptamos a esta nova forma de trabalhar? Gostamos? Entendemos a dinâmica e como tornar o trabalho remoto saudável e produtivo?

Como é nosso espaço? É confortável? E a diferença que teremos nos gastos nas nossas casas, seja para melhorar qualidade da internet, do nosso “canto”, conta de Luz, alimentação, etc.? E seu meu filho chorar durante uma reunião? O cachorro latir?

Trouxemos dois outros post, alguns pontos levantados de dificuldades e importantes para nos encontramos e desenvolvermos nesse novo momento.

Presente e Futuro

O presente cenário nos mostra uma grande quebra mundialmente, no Brasil cerca de 40% das empresas encerraram suas atividades nesse período de pandemia, e a taxa de desemprego no ano de 2020 atingiu 13,5%, a maior desde 2012, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Está claro que os efeitos serão sentidos por um longo tempo, já vivíamos uma economia que tentava se recuperar após grande recessão entre os anos de 2015 e 2017.

Apesar de termos tido uma necessidade imediata, o trabalho remoto não é algo que começou apenas em 2020. dados do IBGE apontam que em 2018, 3,8 milhões de brasileiros já trabalhavam remotamente. Algumas novas estruturas e construções de moradias já eram arquitetadas, pensadas e elaboradas com espaços exclusivos para o trabalho em casa.

Ainda com tantas “?”, hoje, cerca de 86% das empresas já optaram por trabalho remoto de forma permanente, ou opcional, o que significa que mesmo após a pandemia acabar, não haverá mais tantas estruturas físicas e únicas de trabalho. Na balança dos pontos positivos e negativos, analisados por essas empresas que deram os primeiros passos em suas definições de como seguirão para o futuro no mercado de trabalho, os funcionários mesmo nas adversidades seguem produzindo e entregando aquilo que se espera, e com as reduções de gastos mensais fixos para manter essas estruturas físicas, as empresas puderam enxergar uma nova forma de economia e oportunidades.

A exemplo disso que citamos a empresa LafargeHolcim (multinacional franco-suíça que fabrica materiais de construção e está presente em mais de 70 países), com sede no centro do Rio de Janeiro, e que emprega 1500 funcionários no Brasil que atuam na área administrativa, a partir dessa pandemia, vão trabalhar de casa. O imóvel do escritório carioca está sendo entregue, e a estimativa de economia com essa ação é de economizar cerda de R$ 2 milhões ao ano.

Outra a seguir pelo mesmo caminho foi a empresa de tecnologia BRQ Digital Solutions, segundo seus líderes, a empresa descobriu que 50% dos funcionários sentiam-se mais produtivos trabalhando remotamente e 72% avaliam ter mais qualidade de vida.

É, definitivamente, o futuro do trabalho sendo desenhado e concretizado e a Remotar está aqui para auxiliar, com uma plataforma focada totalmente em trabalho remoto para os novos desafios profissionais que estão surgindo.

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